14.8.07

Ain't Talkin'

Sopa de Letras


Autor: Bob Dylan
Álbum: Modern Times
Ano: 2006


As I walked out tonight in the mystic garden
The wounded flowers were dangling from the vine
I was passing by yon cool crystal fountain
Someone hit me from behind

Ain't talkin', just walkin'
Through this weary world of woe
Heart burnin', still yearnin'
No one on earth would ever know

They say prayer has the power to heal
So pray for me mother
In the human heart an evil spirit can dwell
I am a-tryin' to love my neighbor and do good unto others
But oh, mother, things ain't going well

Ain't talkin', just walkin'
I'll burn that bridge before you can cross
Heart burnin', still yearnin'
There'll be no mercy for you once you've lost

Now I'm all worn down by weeping
My eyes are filled with tears, my lips are dry
If I catch my opponents ever sleeping
I'll just slaughter 'em where they lie

Ain't talkin', just walkin'
Through the world mysterious and vague
Heart burnin', still yearnin'
Walkin' through the cities of the plague.

Well, the whole world is filled with speculation
The whole wide world which people say is round
They will tear your mind away from contemplation
They will jump on your misfortune when you're down

Ain't talkin', just walkin'
Eatin' hog eyed grease in a hog eyed town.
Heart burnin', still yearnin'
Some day you'll be glad to have me around.
(...)

10.8.07

Citação

"I won't be a rock star. I will be a legend. "

Freddie Mercury (1946-1991)

7.8.07

Irreal Social*

Eu odeio centros comerciais. No outro dia perdi-me e fui parar a um desses fantásticos edíficios, ainda para mais, na margem sul e cujo o nome não menciono para não fazer publicidade (só mesmo porque não quero!). A certa altura dou comigo a pensar: todos os centros comerciais são iguais. Sim. Eu sei. Não é preciso ser um génio para chegar a esta conclusão. Contudo, o meu raciocínio levar-me-ia mais longe: se todos os shoppings (também odeio estrangeirismos), esses colossos de consumismo espalhados por todo o país, são iguais, então, todos os seus visitantes ou clientes habituais serão igualmente, iguais, passe a redudância. Esta rudimentar teoria seria confirmada.

Dei uma volta por esse centro comercial e vi as coisas do costume: o namoradinho com ar de cromo e calças baratas à portuguesa, vai com o bracinho em cima dos ombrinhos gordos da namorada horrorosa. Tão angelicais que eles são:ela, com aquele sorriso de Mona Lisa arrependida e ele com aquela cara de quem nunca tinha estado ali. Uns inúteis!Mais à frente paro junto de um cinzeiro para fumar um cigarro (num centro comercial tem que se fumar muitos cigarros), e constato que todos os que passam por mim se vestem da mesma maneira. As mesmas marcas, as mesmas cores. O que me levou, consequentemente, a esta ideia: com tantas lojas diferentes, e andam todos com as mesmas roupas, isto deve querer dizer que há lojas que vendem às toneladas e outras que nem um miserável parzinho de meias vendem a um velhote decrépito! Percebem a ideia?

Num outro corredor, um novo casal de namorados. Estes com ar de casados, aquele ar de frete do tipo: “antes isto que ficar a noite toda a ver a TVI e a morrer de tédio”. Estes gajos, garanto-vos, não sabem o que é sexo há um ano e andam para ali com aquele ar de comprometidinhos como se o amor fosse compromisso. Ele, tem ar de companheiro. Não parece ser namorado ou marido. É companheiro. Ela, enfim, assemelha-se muito ao estilo noiva-cadáver, o que nem é assim tão mau, isto é, há pior, ou seja, ela é horrivelmente feia mas ainda assim conheço casos mais críticos.

Não posso com esses indivíduos com ar de companheiro. Companheiro é, certamente, o pior adjectivo que uma mulher pode utilizar para caracterizar um homem. Se uma namorada minha se referisse a mim nesses termos, estaria tudo terminado. Meninas, desenganem-se! Eu não sou companheiro de ninguém. O companheiro é aquele que acompanha, o que me faz lembrar a palavra acompanhante. Acompanhante, para além de prostituto, também pode ser utilizado como peça decorativa, dependendo dos contextos. Ora! Eu não sou uma peça decorativa!

Passo discretamente por esses majestosos corredores de lojas. As montras, nem dou por elas. Penso: “sou um anti-social. Não gosto de nada, não gosto de ninguém. Sou aquele que simplesmente não encaixa. ”Já nos anos 70, Patti Smith cantava: “Out of society, they’re waiting for me//Out of society, that’s where I want to be”. É isso que eu sinto. Sinto que estou fora da sociedade, e penso nisso como se fosse um crime. É este tipo de repressão que eu vivo em tudo o que faço. Eu não gosto de feriados, de épocas festivas nem daqueles bailinhos da terrinha da nossa infância. Eu não gosto de desportos radicais, ginásios nem música de merda. Eu não gosto de aniversários. Nunca vou a funerais. Casamentos, nem se fala.

Sou um anti-social. Que dúvidas restarão? Este tempo é-me estranho, estes sítios são-me estranhos. Olho para os outros, os que passam por mim, parecem-me bem sucedidos na vida. São pessoas perfeitamente inseridas no sistema. Putos de vinte e tal anos, uns acabaram os cursos outros não, já todos casados, com filhos irritantes aos berros, provavelmente com um carro que não podem pagar e a fazer compras com cartões de crédito. Acho que já deu para perceber que não gosto muito desta gente, certo? Pois bem, no entanto, acho que eles é que são bons. Mais: acho que são melhores que eu. Eles conseguiram sobreviver com o sistema. Eles adaptaram-se. Eu não. Mesmo sabendo que eles não sabem nada. Mesmo sabendo que são meras marionetes. Acho que todos esses acomodados vivem melhor do que eu. A última grande preocupação destes gajos foi: “Meu Deus! Já constroem mais centros comerciais que estádios! Onde é que isto vai parar!”. Ou então têm conversas intensas acerca de uma telenovela juvenil qualquer.

Eu, cá por mim, ando sempre preocupado com alguma coisa. Nem que seja uma notícia num jornal sobre a baleia-xpto-que-está-em-vias-de-extinção-num-mar-qualquer-longínquo-que-ninguém-sabe-onde-fica. Eles não. Eles andam felizes, ou pensam que andam felizes, ou qualquer coisa que os valha. Eles ouvem Michael Bublé (será assim que se escreve?), eu oiço Frank Sinatra. Eles ouvem James Blunt (a revelação do ano, segundo a MTV), eu oiço Neil Young. O que me vale a mim conhecer as obras completas de Piaf ou Brel? E por outro lado, que culpa tenho eu de não gostar daquilo que todos gostam? E ainda assim, nem sei porque é que não gosto dessas coisas, pelo menos, se me pedissem para explicar, eu não o saberia fazer.Só sei que tenho tendência para odiar aquilo que os outros gostam e é por isso que odeio centros comerciais. Porque lá é tudo diferente de mim e eu não me revejo em nada, e para agravar, todos os que passam por mim parecem cópias uns dos outros. Ou serão os centros comerciais que são cópias uns dos outros?

Qual o objectivo deste texto? Não sei. Mentira. Sei, mas não vou dizer porque sou um artista.

Curiosidade: (completamente desinteressante e que ninguém vai ler porque desistiram todos a meio) Este texto foi escrito ao som de No More Shall We Part de Nick Cave & The Bad Seeds.

Agradecimentos: Nick Cave & The Bad Seeds, Centro Comercial Anónimo, aos dois casais de parolos que vos falei e ainda a todos os bimbos ignóbeis que tiveram a infelicidade de passar por mim naquele triste fim de noite. Para esses, que ardam no inferno!

Citações:

“Sarcasm can be a dangerous weapon” (A.A. – Autor Anónimo)

“Misery is the river of the world” (Tom Waits)

*Este texto foi originalmente publicado em Abril de 2006, num blogue já extinto, e que não vale a pena referir o nome. Ashes to ashes, dust to dust.

30.7.07

Everybody Knows

Sopa de Letras

Autor: Leonard Cohen
Álbum: I´m Your Man
Ano: 1988

Everybody knows that the dice are loaded
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows that the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed
The poor stay poor, the rich get rich
Thats how it goes
Everybody knows

Everybody knows that the boat is leaking
Everybody knows that the captain lied
Everybody got this broken feeling
Like their father or their dog just died
Everybody talking to their pockets
Everybody wants a box of chocolates
And a long stem rose
Everybody knows

Everybody knows that you love me baby
Everybody knows that you really do
Everybody knows that you've been faithful
Ah give or take a night or two
Everybody knows youve been discreet
But there were so many people you just had to meet
Without your clothes

And everybody knows.

26.7.07

A impossibilidade de uma amizade

Certa noite, estava eu e a Cláudia-a-Dias em animada conversa num bar qualquer deste mundo, e eis que a referida criatura, às tantas, se sai com esta: "Eu sou a melhor amiga que tu podias ter!", e diz isto com um ar muito convicto e certo de que nada a poderia contrariar. Ora eu, pasmado com tais palavras, apresso-me a perguntar-lhe o que a leva a dizer uma monstruosidade daquelas: "O que te leva a dizer isso? Justifique-se por favor!", ao que ela responde descontraídamente como quem não quer a coisa: "Então, porque sou uma amiga que te ouve e que te ensina coisas!". Confesso que nunca tinha ouvido tão perfeita descrição da amizade, ainda assim mostrei uma moderada indignação dizendo simplesmente: "Chocas-me!". A resposta que obtenho é esta: "Claro que sim! Eu sou um pára-choques!"

É com piadas destas que se perde uma amizade.

18.7.07

Patti Smith em Portugal

"I haven't fucked much with the past, but I've fucked plenty with the future."

Ora aí está uma daquelas notícias que deixou o QCI deveras feliz: Patti Smith está de regresso aos palcos portugueses. O concerto é no dia 28 de Outubro no Coliseu de Lisboa.

17.7.07

Syd Barrett: The Madcap Laughs

No dia 7 deste mês passou um ano desde a morte de Syd Barrett. Um dos maiores mistérios do universo rock dos últimos quarenta anos que, na verdade, já andava "desaparecido" desde 1972. Fundador, vocalista, guitarrista e principal compositor do soberbo disco de estreia dos Pink Floyd - The Piper At The Gates Of Dawn (1967, em Setembro serão assinalados os quarenta anos do álbum com uma nova edição tripla) - é hoje visto como aquele-que-podia-ter-sido-mas-nunca-foi, o génio que virou as costas ao sucesso, ao glamour, ao estrelato inerentes a uma estrela rock.
Syd Barrett saiu dos Pink Floyd em 1968, quando a sua saúde mental estava já num estado muito degradado. Recusava-se a tocar em alguns concertos, não respondia às questões dos jornalistas, desaparecia com frequência, ficava horas a tocar o mesmo acorde entre outros hábitos cada vez mais bizarros. Tendo em conta este comportamento, os restantes membros da banda (Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) já se tinham prevenido com a inclusão de David Gilmour (guitarra e voz) o que terá feito dos Pink Floyd um quinteto durante um curto espaço de tempo, até que um dia, segundo Gilmour, a caminho de um concerto, simplesmente optaram por não ir buscar Barrett e foi assim que este deixou de ser membro da banda.
O segundo disco dos Floyd, A Saucerful of Secrets (1968), continha ainda uma última composição de Barrett intitulada Jugband Blues, interpretada pelo próprio, que fechava o disco envolto numa neblina misteriosa e alucinada. Posto isto, em 1970, e com a ajuda preciosa de Waters, Gilmour (que era amigo de infância de Barrett) e Wright, ainda lançou dois intrigantes discos - ambos em 1970, primeiro The Madcap Laughs, depois Barrett - para pouco mais tarde se eclipsar totalmente e viver praticamente o resto da vida em casa da mãe em Cambridge (onde morreu no ano passado). Muitas foram as tentativas ao longo de mais de trinta anos de entrar em contacto com Syd Barrett, mas este escusou-se a falar da sua vida com os Pink Floyd a maior parte das vezes, mostrando um desinteresse total por tudo o que fez nessa altura.
Estas foram as suas últimas palavras escritas para os Pink Floyd em 1968 e que demonstram o quão alienado estava Barrett já nesta altura, sendo que o mais assustador ainda é dar a entender que tinha consciência do que lhe estava a acontecer:

"It's awfully considerate of you to think of me here
And I'm most obliged to you for making it clear
That I'm not here.

And I never knew the moon could be so big
And I never knew the moon could be so blue
And I'm grateful that you threw away my old shoes
And brought me here instead dressed in red

And I'm wondering who could be writing this song."

Até hoje poucos foram os que conseguiram igualar o génio de músicas como Astronomy Domine ou Interstellar Overdrive. Barrett foi sempre um fantasma na carreira dos Pink Floyd, sendo referido e servindo de inspiração para alguns dos pricipais discos da banda nomeadamente The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975, a faixa que dá nome ao álbum é-lhe dedicada), The Wall (1979) e The Division Bell (1994). Syd viveu sempre de costas viradas ao sucesso cada vez maior que a sua banda veio a atingir nos anos seguintes à sua saída. Terá sido mera loucura? O mistério prevalece. The Madcap Laughs.

11.7.07

#2

Era nessa altura que ela subia e descia as avenidas daquela cidade abandonada à noite. Entrava nos bares, sozinha. Bebeu muito de Woody Allen com Marlon Brando e Chet Baker. Era a sua combinação preferida. Os homens fitavam-na com estranheza. O que faria uma mulher, todos os dias sozinha, naqueles bares, fazendo aquelas estranhas misturas? Era bonita, pedia as bebidas com uma segurança e firmeza que asseguravam que sabia muito bem o que fazia e o que queria. Não era uma bêbada, não era uma inútil e seguramente não era puta. Os homens daqueles bares respeitavam-na. Compreendiam-na. Na velhinha jukebox, sempre a mesma música: Nina Simone, e ao ouvi-la, acendia um cigarro, bebia o que estava no copo de uma vez só e pousava a cabeça sobre a mão como se nunca mais a fosse levantar. Era um lugar comum. Eles sabiam-no. Ela sabia-o. Ela era intocável.
Ao fim da noite, já nos bares que ficam perto do rio, sente-se o ar húmido e o cheiro característico da água que bate nos muros. Vêem-se pequenos caranguejos que aparecem sobre a pedra humana. Ela debruça-se sobre o corrimão observando tudo isto, apanhando o relento fresco, por vezes aconchegante, único e fiel companheiro daquelas noites urbanas e azuis. Ouvem-se os primeiros barcos, partem os primeiros autocarros, vêem-se as primeiras pessoas indo para o trabalho. Era sempre assim, todas as noites acabavam naquelas manhãs cansadas e cinzentas. O olhar fixo no horizonte, o vento nos cabelos longos e ondulados. Um último copo, Gainsbourg com duas pedras de gelo e Brel com um pouco de Piaf para acrescentar amargura. Escreveria quando chegasse a casa, se pelo menos se lembrasse do caminho. É então que uma voz masculina se ouve quase ao seu lado: Mariana, és tu?

4.7.07

Arcade Fire, SBSR, 3 Julho



Os Arcade Fire conseguiram o mais improvável: arrastar o QCI para um festival. Só mesmo a banda canadiana para nos levar para aquele desterro onde a cerveja se vende ao preço do ouro e onde não há transportes quando os concertos acabam!
O concerto foi épico. Bem sei que esta é a palavra mais vulgarmente usada para descrever os concertos dos Arcade Fire, mas não é fácil encontrar outro adjectivo que descreva na perfeição o que se passa nos concertos destes senhores.
Como pontos altos e orgásmicos, destacamos No Cars Go, Rebellion (Lies), Neighborhood#3 (Power Out) e, claro, Wake Up para um final em grande. Talvez tenha faltado Crown of Love, In the Backseat ou mesmo Cold Wind mas não havia tempo para tudo.
Na nossa modesta opinião, os Arcade Fire são a melhor banda desde os Radiohead, e quem não gosta deles, não tem coração.

"Purify the colors, purify my mind and spread the ashes of the colors over this heart of mine."

2.7.07

Citação

Woddy Allen
(n.1935)

"Basically I am a low-culture person. I prefer watching baseball with a beer and some meatballs."